Poemas de Verônica Böhme

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RATO DE PORÃO
Verônica Böhme


Como um rato de porão
Procuro coisas na podridão,
Preciso do que cheira mal
É o meu ar vital.

Roedor da alma alheia
Necessito tornar as pessoas pequenas,
Roer nelas tudo o que há de bom
Destruir o que dentro delas ameaça minha escuridão.

Descascar a esperança docemente
Espalhar desgraças em tua mente,
Te rejeitar se está feliz ou se vence
Só assim me sinto decente.

Gosto com minhas patas e dentes
Expor seus defeitos, te fazer demente,
Escancarar suas sujeiras, espalhar suas besteiras
Preciso tanto me lambuzar... nessa lama do fracasso e da dor alheia.

Cores fétidas que me alimentam
Preciso falar mal de você,
Mostrar seus defeitos,
Falar dos seus não feitos.

Preciso do que cheira mal
Te jogar um olhar fatal,
Sabedoria que te desmotiva
Para que no futuro chores pela sua vida não vivida.

E eu me encontro quando cultivo problemas e crises,
Quando vi que te matei as esperanças,
Quando roí todos seus sonhos, suas melhores qualidades,
Quando eu vi em seus olhos a perdição da realidade.

Adoro colocar meu focinho no lixo fétido,
Encontrar adeptos,
Só assim minha vida tem nexo
Só assim me sinto em paz e completo.

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